Adenomiose e alimentação: o que a dieta tem a ver com os sintomas?

Olá, querida leitora!

A adenomiose é uma condição ginecológica que pode causar dor intensa, cólicas incapacitantes e sangramentos menstruais abundantes. Embora o tratamento médico seja essencial, cada vez mais estudos mostram que o estilo de vida, especialmente a alimentação, pode influenciar diretamente nos sintomas da doença.

Neste artigo, vamos entender como a alimentação pode ajudar (ou atrapalhar) o controle da adenomiose e quais mudanças simples podem trazer mais conforto e qualidade de vida.

O que é adenomiose?

A adenomiose acontece quando o tecido que reveste o útero por dentro (endométrio) cresce para dentro da parede muscular do próprio útero. Essa invasão pode gerar:

• Cólicas menstruais mais intensas
• Fluxo menstrual aumentado
• Sensação de peso pélvico
• Inchaço abdominal

Apesar de não ter cura definitiva, a não ser em casos de histerectomia quando indicada, a adenomiose pode ser controlada com acompanhamento médico, uso de medicamentos e mudanças no estilo de vida.

A alimentação interfere mesmo nos sintomas?

Sim, interfere. Embora a alimentação não seja um tratamento isolado, ela pode atenuar os sintomas da adenomiose, especialmente quando há um processo inflamatório envolvido.

Alguns alimentos têm o poder de reduzir a inflamação e equilibrar os hormônios, enquanto outros podem agravar os sintomas ao estimular ainda mais o processo inflamatório no corpo.

Alimentos que ajudam no controle dos sintomas

• Frutas e vegetais frescos: ricos em antioxidantes, vitaminas e fibras
• Peixes ricos em ômega 3 como salmão e sardinha: com ação anti-inflamatória
• Oleaginosas como castanhas, nozes, amêndoas: em quantidades moderadas, ajudam a modular hormônios
• Cúrcuma, também conhecida como açafrão da terra: poderosa aliada natural contra a inflamação
• Água em boa quantidade: ajuda na circulação e eliminação de toxinas

Alimentos que podem piorar os sintomas

• Açúcar refinado e doces industrializados: aumentam a inflamação e os picos hormonais
• Alimentos ultraprocessados como embutidos, congelados, fast food: ricos em conservantes e sódio
• Laticínios em excesso: algumas mulheres relatam melhora dos sintomas ao reduzir o consumo
• Carne vermelha em grande quantidade: pode estimular a produção de prostaglandinas, substâncias que agravam as cólicas
• Cafeína e álcool: em excesso, alteram o equilíbrio hormonal e aumentam a irritabilidade

Vale a pena procurar uma nutricionista?

Sim. Uma profissional pode ajudar a montar um plano alimentar equilibrado e adaptado à sua rotina, sempre alinhado ao tratamento ginecológico.

A alimentação não substitui o tratamento médico, mas pode ser uma grande aliada na redução dos sintomas e na melhora da qualidade de vida.

Conclusão

Se você convive com a adenomiose, saiba que além do tratamento clínico, pequenas mudanças na alimentação podem fazer diferença. Uma dieta mais natural, anti-inflamatória e equilibrada pode ajudar a controlar o desconforto, reduzir as cólicas e trazer mais bem-estar no dia a dia.

Cuidar do que você consome é também uma forma de cuidar do seu corpo e da sua saúde como um todo.

Se você tem sintomas de adenomiose ou já recebeu esse diagnóstico, converse com seu ginecologista e, se possível, com uma nutricionista. Juntas, essas especialidades podem transformar o seu tratamento em algo mais leve e eficaz.

Com carinho,

Dra. Tânia Regina A. Perci

Meu médico indicou videolaparoscopia: e agora?

Olá, querida leitora!

Receber a indicação de uma cirurgia pode gerar muitas dúvidas e inseguranças, e com a videolaparoscopia não é diferente. Apesar de ser uma técnica moderna, segura e muito comum na ginecologia, é natural ter receios sobre o que vai acontecer antes, durante e depois do procedimento.

Neste artigo, quero te explicar, de forma simples e acolhedora, o que você precisa saber se seu médico indicou uma videolaparoscopia.

O que é videolaparoscopia?

A videolaparoscopia é uma técnica de cirurgia minimamente invasiva, realizada com o auxílio de uma câmera e pequenos instrumentos inseridos no abdômen por pequenas incisões. Isso permite que o médico visualize os órgãos internos com precisão e, se necessário, realize o tratamento ao mesmo tempo.

Ela é muito usada em ginecologia para o diagnóstico e o tratamento de diversas condições, como:

• Endometriose
• Miomas
• Cistos ovarianos
• Laqueadura tubária
• Adesões pélvicas
• Dor pélvica de causa indefinida

Por que ela é indicada?

Na maioria dos casos, a videolaparoscopia é indicada quando exames de imagem não são suficientes para fechar um diagnóstico ou quando há a necessidade de tratar alguma alteração que afeta a saúde da mulher ou sua qualidade de vida.

O objetivo sempre será oferecer um cuidado mais preciso, com menos dor, menos riscos e uma recuperação mais rápida do que a cirurgia convencional.

Como é o preparo para a cirurgia?

Antes do procedimento, o ginecologista solicitará alguns exames de rotina, como:

• Exames de sangue
• Avaliação cardiológica (em alguns casos)
• Ultrassonografia ou outros exames de imagem complementares

Além disso, é importante conversar abertamente com seu médico sobre medos, expectativas e dúvidas. Sentir segurança no profissional que vai te acompanhar é parte essencial do processo.

O que esperar do pós-operatório?

A recuperação costuma ser tranquila e bem mais rápida do que nas cirurgias tradicionais. Veja o que é comum no pós:

• Leve desconforto abdominal nos primeiros dias
• Gases abdominais (por conta do gás utilizado para distender a cavidade)
• Pequenas cicatrizes, geralmente ao redor do umbigo e na parte inferior do abdômen
• Retorno às atividades leves em poucos dias (o tempo exato varia de acordo com o caso)

O repouso, o uso de medicamentos prescritos e o retorno às consultas são fundamentais para garantir uma boa recuperação.

Você não está sozinha nesse processo

Receber a indicação de uma cirurgia pode assustar no início, mas estar bem informada e amparada faz toda a diferença. A videolaparoscopia, quando indicada corretamente, é uma ferramenta segura, moderna e muito eficaz para o diagnóstico e o tratamento de diversas condições ginecológicas.

Se você recebeu essa indicação, tire suas dúvidas com o seu ginecologista e siga com confiança. Seu corpo merece cuidado, atenção e respeito em cada etapa.

Com carinho,

Dra. Tânia Regina A. Perci

O que muda no corpo da mulher ao parar o anticoncepcional?

Olá, querida leitora!

O uso de anticoncepcional hormonal é uma das formas mais comuns de evitar a gravidez e tratar diversas condições ginecológicas, como ovários policísticos, cólicas intensas e irregularidades menstruais. Mas e quando a mulher decide parar o anticoncepcional? O que muda no corpo e como se preparar para esse momento?

Neste artigo, explico o que pode acontecer após a suspensão do anticoncepcional e quando é importante procurar acompanhamento médico.

1. A volta do ciclo natural

Ao parar o anticoncepcional, o corpo retoma sua produção hormonal natural. Isso significa que o ciclo menstrual volta a ser regido pelos hormônios do próprio organismo, o que pode trazer algumas mudanças:

  • O ciclo pode se tornar irregular nos primeiros meses.
  • Algumas mulheres notam o retorno de sintomas que o anticoncepcional ajudava a controlar, como TPM, cólicas, acne ou aumento do fluxo menstrual.
  • Outras sentem uma melhora na disposição e libido, já que os hormônios sintéticos podem afetar esses aspectos.

2. Fertilidade: quando ela volta?

Muitas mulheres acreditam que leva muito tempo para engravidar após parar o anticoncepcional, mas a verdade é que a fertilidade pode retornar rapidamente, às vezes até no primeiro ciclo após a interrupção.

Por isso, se você não pretende engravidar, é essencial conversar com seu ginecologista para escolher outro método contraceptivo.

3. Pele, cabelo e emoções

  • Pele e cabelo: o anticoncepcional pode ajudar no controle da oleosidade e da acne. Ao parar, é possível que esses sintomas reapareçam temporariamente, especialmente se já existiam antes do uso.
  • Humor: algumas mulheres relatam mudanças emocionais — tanto para melhor quanto para pior — com a suspensão do uso. Isso acontece porque o corpo precisa se adaptar novamente ao ciclo hormonal natural.

4. Sintomas que merecem atenção

É comum sentir alterações nos primeiros meses, mas se você perceber:

  • Sangramentos anormais ou muito intensos;
  • Dores pélvicas constantes;
  • Ausência de menstruação por mais de 3 meses;

Procure uma avaliação ginecológica. Esses sinais podem indicar alguma condição que estava sendo controlada pelo anticoncepcional, como SOP ou endometriose.

5. O acompanhamento é essencial

Parar o anticoncepcional é uma decisão que deve ser tomada com consciência e acompanhamento médico. O ginecologista pode:

  • Avaliar seu histórico de saúde;
  • Preparar seu corpo para essa transição;
  • Indicar exames e alternativas contraceptivas, caso necessário.

Conclusão

Cada mulher responde de forma diferente à suspensão do anticoncepcional. Algumas passam por esse processo com tranquilidade, outras sentem mais alterações. O mais importante é entender o que está acontecendo com o corpo e contar com o suporte de um profissional de confiança durante essa fase.

Se você está pensando em parar o anticoncepcional ou já parou e está com dúvidas, agende sua consulta. O seu corpo merece esse cuidado!

Com carinho,

Dra. Tânia Regina A. Perci