Mesmo com vacina gratuita e exames preventivos disponíveis, milhares de brasileiras seguem adoecendo e morrendo por uma condição que poderia ser evitada. Estima-se que, nos próximos anos, o número de casos e mortes continue crescendo, especialmente entre as mulheres mais jovens.
O maior causador desse tipo de câncer é o HPV, um vírus de transmissão sexual, silencioso, mas altamente agressivo quando não diagnosticado a tempo. A boa notícia é que com informação, vacinação e rastreamento, é possível mudar esse cenário.
Por que esse câncer é tão grave?
O câncer do colo do útero costuma se desenvolver lentamente e, nas fases iniciais, não apresenta sintomas evidentes. Isso faz com que muitas mulheres descubram a doença já em estágios avançados, quando o tratamento é mais difícil.
Em números, a realidade brasileira preocupa:
- Cerca de 19 mulheres morrem todos os dias por causa desse câncer
- É o tipo mais comum em mulheres até os 36 anos
- E o segundo mais mortal até os 60 anos
Quais são as formas de prevenção?
A prevenção começa cedo e deve continuar ao longo da vida. Veja as principais medidas:
1. Vacina contra o HPV
Indicada para meninas e meninos entre 9 e 14 anos, a vacina protege contra os principais tipos do vírus. Ela é gratuita pelo SUS e altamente eficaz quando aplicada antes do início da vida sexual.
2. Exame de Papanicolau ou teste molecular de HPV
Esses exames são essenciais para detectar lesões no colo do útero ainda em fase inicial, antes que evoluam para um câncer. Mulheres entre 25 e 64 anos devem realizar o exame regularmente, mesmo sem sintomas.
3. Uso de preservativo
Embora a camisinha não ofereça proteção total contra o HPV, ela reduz o risco de contágio e também previne outras ISTs.
4. Estilo de vida saudável
Evitar o tabagismo, o consumo excessivo de álcool e manter a imunidade fortalecida são fatores importantes na prevenção de diversos tipos de câncer, incluindo o do colo do útero.
5. Acompanhamento ginecológico
Mesmo vacinada e sem sintomas, a mulher deve manter seu acompanhamento anual com o ginecologista.
O que está sendo feito para mudar esse cenário?
A Organização Mundial da Saúde estabeleceu metas para erradicar esse tipo de câncer até 2030. O plano inclui:
- Vacinar 90% das meninas até os 15 anos
- Rastrear 70% das mulheres até os 35 e novamente aos 45
- Tratar 90% dos casos detectados de forma precoce
No Brasil, entidades como a FEBRASGO defendem ações mais integradas, como campanhas nas escolas, capacitação de profissionais e acesso ao diagnóstico em todo o país.
Conclusão
O câncer do colo do útero pode ser evitado. Vacina, exames preventivos e acesso à informação são ferramentas que salvam vidas.
É papel de todos — profissionais de saúde, famílias e sociedade — garantir que mais mulheres tenham acesso à prevenção e ao diagnóstico precoce.
Se você é mulher ou tem filhas, sobrinhas, afilhadas nessa faixa etária, compartilhe essa informação. A saúde da mulher começa com conhecimento e cuidado contínuo.
