O Brasil vive um cenário preocupante em relação às doenças infectocontagiosas, especialmente a sífilis e o HIV/AIDS. Dados recentes do Ministério da Saúde indicam que a sífilis continua avançando em ritmo acelerado, acompanhando uma tendência observada em diversos países. Trata-se de uma infecção sexualmente transmissível que, apesar de ter prevenção e tratamento eficazes, ainda representa um grande desafio para a saúde pública.
No cenário global, milhões de novos casos de sífilis são registrados todos os anos, evidenciando que a doença permanece ativa e, muitas vezes, silenciosa. No Brasil, o impacto é ainda mais alarmante quando se observa a população de gestantes, devido ao risco de transmissão vertical, quando a infecção passa da mãe para o bebê durante a gestação.
Sífilis na gestação: risco para mãe e bebê
Os dados nacionais mostram um número expressivo de casos de sífilis em gestantes, com maior concentração nas regiões Sudeste e Nordeste, seguidas pelas demais regiões do país. A taxa de detecção vem aumentando ano após ano, o que reflete não apenas a circulação da bactéria, mas também falhas na prevenção, no diagnóstico precoce e no acesso ao tratamento adequado.
A sífilis durante a gravidez é especialmente grave porque pode causar aborto, parto prematuro, malformações congênitas e até óbito fetal. Em fases mais recentes da infecção, o risco de acometimento do feto é extremamente elevado, tornando o diagnóstico precoce essencial para a proteção da gestação.
Sintomas que podem passar despercebidos
Um dos maiores desafios no controle da sífilis é o fato de que a doença nem sempre apresenta sintomas claros. Na fase inicial, pode surgir uma lesão única, indolor, com bordas endurecidas, conhecida como cancro sifilítico. Nas mulheres, essa lesão pode localizar-se em regiões internas, como o colo do útero ou o fundo da vagina, o que dificulta sua identificação sem exame ginecológico.
Sem tratamento, a infecção pode evoluir para a fase secundária, caracterizada por manchas pelo corpo, inclusive nas palmas das mãos e plantas dos pés, além de queda de cabelo em áreas específicas e lesões genitais. Mesmo assim, após essa fase, a sífilis pode entrar em um período assintomático prolongado, mantendo o risco de transmissão.
Por que a sífilis continua aumentando
O crescimento dos casos está associado a diversos fatores, como a baixa percepção de risco, a redução do uso de preservativos, a desinformação e as desigualdades no acesso aos serviços de saúde. Muitas mulheres só descobrem a infecção por meio de exames de rotina, reforçando a importância das triagens periódicas, especialmente durante o pré-natal.
Prevenção, diagnóstico e cuidado contínuo
A sífilis é uma infecção prevenível e tratável. O uso de métodos de barreira, como o preservativo, aliado à realização regular de exames sorológicos, é fundamental para reduzir a transmissão. Durante a gestação, o rastreamento deve ser feito em mais de um momento, garantindo diagnóstico oportuno e tratamento adequado.
O cuidado com a saúde sexual e reprodutiva deve fazer parte da rotina da mulher em todas as fases da vida. Informação, prevenção e acompanhamento médico são as principais ferramentas para conter o avanço da sífilis e proteger a saúde materna e fetal.
