O câncer de ovário é um dos tumores ginecológicos mais preocupantes, não pela quantidade de casos em relação a outros tipos, mas por sua alta taxa de mortalidade. Isso ocorre porque, na maioria das vezes, os sintomas são discretos e se confundem com desconfortos abdominais comuns, o que leva ao diagnóstico tardio.
Estima-se que a maioria das mulheres só descubra a doença quando ela já está em estágio avançado. E é justamente por isso que ele ganhou o apelido de “doença silenciosa”. Sensação de inchaço, mudanças no apetite, aumento do volume abdominal, constipação ou diarreia alternadas, e desconfortos persistentes podem aparecer meses antes do diagnóstico e merecem atenção, especialmente após a menopausa.
Quem está mais vulnerável?
O risco aumenta com a idade, sendo mais frequente em mulheres acima dos 50 anos, principalmente após a menopausa. Histórico familiar de câncer de ovário ou mama também deve ser observado com cautela. Mutações genéticas como BRCA1 e BRCA2 podem elevar consideravelmente o risco. Em alguns casos, mulheres com essas alterações se beneficiam de medidas preventivas, como a retirada das trompas e ovários, reduzindo drasticamente a mortalidade associada.
Por que é tão difícil diagnosticar?
Diferentemente de outros tipos de câncer ginecológico, o de ovário ainda não conta com um exame de rastreamento realmente eficaz. Ultrassonografias e marcadores tumorais como o CA-125 não têm sensibilidade suficiente para detectar a doença em sua fase inicial. Muitas vezes, só indicam alterações quando o tumor já está mais desenvolvido.
Tratamento e novas possibilidades
O tratamento tradicional envolve cirurgia para retirada do tumor e quimioterapia. Porém, mesmo com a abordagem correta, grande parte das pacientes enfrenta recorrência da doença. Por isso, novas terapias estão ganhando espaço, como os inibidores de PARP — que têm se mostrado eficazes em pacientes com determinadas mutações genéticas — e a imunoterapia, que avança como uma esperança em vários tipos de câncer, incluindo o de ovário.
Prevenção é cuidado contínuo
Embora não haja uma fórmula para evitar totalmente a doença, adotar um estilo de vida saudável ajuda a reduzir os riscos. Manter o peso adequado, ter uma alimentação rica em fibras, praticar exercícios físicos regularmente e realizar consultas periódicas com o ginecologista são passos essenciais no autocuidado. Para quem tem histórico familiar importante, o aconselhamento genético pode ser um grande aliado.
Conclusão
O câncer de ovário pede vigilância e atenção aos pequenos sinais. Embora silencioso, ele não deve ser ignorado. Falar sobre o assunto é o primeiro passo para transformar medo em prevenção e desinformação em cuidado real.





