Falta de preparo na amamentação coloca mães e bebês em risco no Brasil

A amamentação é um dos momentos mais importantes da maternidade, essencial não apenas para a nutrição, mas também para o vínculo afetivo entre mãe e filho. No entanto, apesar de muitas gestantes receberem algum tipo de orientação durante o pré-natal, a qualidade e profundidade dessas informações ainda deixam a desejar, o que pode comprometer a saúde da mãe e do bebê.

De acordo com levantamentos nacionais, entre 60% e 84% das gestantes brasileiras relatam ter recebido orientações sobre amamentação nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). O problema é que, na maioria dos casos, essas informações são superficiais, deixando de abordar pontos essenciais sobre as particularidades do aleitamento materno, manejo de dificuldades e prevenção de complicações.

Essa lacuna no preparo faz com que muitas mulheres cheguem ao período pós-parto sem saber lidar com situações comuns, como fissuras nos mamilos, ingurgitamento mamário (“leite empedrado”) e mastite — inflamação que pode afetar de 3% a 20% das lactantes e, em casos mais graves, evoluir para abscessos mamários. Além da dor e desconforto, essas complicações prejudicam a experiência da amamentação e podem reduzir o tempo de aleitamento exclusivo, impactando diretamente a saúde e o desenvolvimento do bebê.

O papel do pré-natal na preparação para a amamentação

O pré-natal é o momento ideal para incluir um acompanhamento específico sobre lactação, que vá além das recomendações básicas. Isso significa ensinar sobre a pega correta, posições mais confortáveis para mãe e bebê, cuidados com a mama e como identificar e lidar com sinais de complicações logo no início.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de vida e sua manutenção, junto a outros alimentos, até pelo menos os 2 anos de idade. O leite materno é um alimento completo, contendo vitaminas, minerais, proteínas como a lactoalbumina, gorduras saudáveis, hormônios, enzimas e anticorpos que ajudam a proteger o bebê contra infecções e doenças.

Desigualdades no acesso à informação

Enquanto em grandes centros urbanos a orientação sobre amamentação já é limitada, em municípios menores a situação é ainda mais preocupante. Em algumas localidades, até 22% das gestantes afirmam não ter recebido nenhuma informação sobre o assunto durante o pré-natal.

Essa desigualdade de acesso reforça a importância de buscar fontes seguras de informação, seja com o obstetra, pediatra ou em grupos de apoio à amamentação, inclusive nos programas oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Conscientização e prevenção de problemas

Muitas das dificuldades na amamentação surgem após a alta hospitalar, quando a mãe está em casa e precisa lidar sozinha com os desafios da nova rotina. Orientações adequadas antes do parto e reforçadas nos primeiros dias de vida do bebê podem fazer toda a diferença para garantir uma lactação saudável e prazerosa.

A amamentação, além de seu valor nutricional, fortalece o vínculo entre mãe e bebê e reduz a mortalidade infantil. Por isso, incluir informações claras, práticas e completas sobre o tema no pré-natal deve ser uma prioridade na saúde pública e privada.

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