A dor abdominal é uma das queixas mais comuns na infância e na adolescência. Quase sempre está relacionada a cólicas, gases, constipação ou desconfortos menstruais. Mas quando essa dor não passa, se repete com frequência ou vem acompanhada de aumento do volume abdominal, é hora de acender o alerta. Esses podem ser sinais de tumor ovariano, a neoplasia ginecológica mais comum entre meninas e adolescentes.
Embora seja incomum na população geral, o tumor ovariano nessa faixa etária merece atenção especial. O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de cura, que podem chegar a oitenta por cento quando o tratamento é iniciado rapidamente em centros especializados.
Quando a dor deixa de ser comum
Adolescentes costumam experimentar cólicas irregulares e variações hormonais que podem gerar desconforto. Porém, alguns sinais não devem ser atribuídos ao que é considerado normal da idade. Entre eles estão:
- Dor abdominal persistente ou crescente;
- Barriga que aumenta progressivamente;
- Sensação de peso ou presença de massa abdominal;
- Náuseas intensas ou repetidas;
- Perda de peso sem motivo aparente;
- Mal-estar contínuo;
Esses sintomas muitas vezes são confundidos com problemas simples. No entanto, podem indicar a presença de um cisto complexo, torção ovariana ou até um tumor.
A importância do diagnóstico por imagem
No atendimento primário, o aumento do volume abdominal é uma das pistas mais importantes para suspeita de massa ovariana. Em pronto atendimento, a queixa mais comum é dor intensa, que pode estar associada à ruptura ou torção de cistos.
A ultrassonografia é o principal exame para diferenciar três situações. Cistos funcionais, que são comuns e geralmente benignos. Tumores benignos. Neoplasias malignas.
Quando há suspeita de tumor, o encaminhamento para serviços especializados em ginecologia da infância e oncologia pediátrica é essencial.
Tratar o tumor e preservar o futuro
O tratamento de tumores ovarianos em meninas busca sempre que possível preservar a fertilidade, a função hormonal e a qualidade de vida futura. Cirurgias poupadoras e técnicas de preservação de tecido ovariano podem ser indicadas, especialmente quando há necessidade de quimioterapia ou radioterapia.
Cuidado integral e prevenção
A atenção à saúde ginecológica de meninas e adolescentes vai além do diagnóstico de tumores. Inclui educação em saúde sexual, orientações de proteção contra infecções sexualmente transmissíveis, atualização vacinal e reforço sobre a importância da vacina contra o HPV, essencial para prevenir cânceres do trato genital no futuro.
A abordagem integral ajuda a proteger a saúde presente e futura dessas jovens.
Quando procurar ajuda
A orientação é clara. Dor que persiste e barriga que aumenta não são normais e não devem ser tratadas repetidamente como cólica menstrual.
Ao notar esses sinais, pais, responsáveis e profissionais de saúde devem buscar avaliação clínica, realizar ultrassonografia e encaminhar para especialista sempre que necessário.
Diagnosticar cedo significa tratar melhor e garantir maiores chances de cura e preservação do futuro reprodutivo da adolescente.





