Sua vida sexual mudou? Entenda o que pode estar acontecendo

Quando falamos em cuidar da saúde, normalmente pensamos em alimentação, exercícios físicos, exames de rotina e prevenção de doenças. Mas existe uma parte muito importante da vida da mulher que nem sempre recebe a mesma atenção: a saúde sexual.

Sentir dor durante a relação, perceber uma queda importante na libido, conviver com ressecamento vaginal ou simplesmente não se sentir confortável com o próprio corpo são situações que muitas mulheres acabam normalizando.

Só que sexualidade também faz parte da saúde, do bem-estar e da qualidade de vida.

O que significa ter saúde sexual?

Saúde sexual não significa apenas ter relações sexuais ou não apresentar uma infecção sexualmente transmissível.

Ela envolve diferentes aspectos da vida da mulher: conforto, desejo, prazer, segurança, conhecimento sobre o próprio corpo e a possibilidade de viver sua sexualidade de maneira saudável e respeitosa.

Por isso, quando alguma coisa muda nessa área, vale a pena olhar para o que o corpo pode estar tentando mostrar.

Dor durante a relação não deve ser considerada normal

Algumas mulheres convivem durante meses ou até anos com dor ou desconforto durante as relações porque acreditam que isso simplesmente “faz parte”.

Mas a dor pode estar relacionada a diferentes condições, como:

  • ressecamento vaginal;
  • alterações hormonais;
  • infecções;
  • endometriose;
  • alterações no assoalho pélvico;
  • vulvodínia;
  • mudanças relacionadas à menopausa;
  • fatores emocionais e psicológicos.


A intensidade e a causa podem variar bastante de uma mulher para outra. Por isso, em vez de simplesmente suportar o desconforto, é importante investigar.

E quando a vontade de ter relação diminui?

A libido feminina não funciona como um botão que está sempre ligado ou desligado.

O desejo sexual pode mudar ao longo da vida e ser influenciado pelo estresse, cansaço, rotina, relacionamento, autoestima, alterações hormonais, uso de determinados medicamentos, gestação, pós-parto e menopausa, entre diversos outros fatores.

Uma diminuição ocasional do desejo não significa necessariamente que exista algum problema.

Por outro lado, quando essa mudança persiste e começa a incomodar a mulher ou afetar sua qualidade de vida e seus relacionamentos, ela merece atenção.

Menopausa e saúde íntima

Durante o climatério e a menopausa, a redução dos níveis hormonais pode provocar mudanças importantes na região íntima.

Algumas mulheres começam a perceber ressecamento, ardência, irritação, redução da lubrificação ou dor durante a relação.

Esses sintomas podem fazer com que a mulher passe a evitar a intimidade, não necessariamente porque perdeu o interesse, mas porque aquele momento deixou de ser confortável.

Existem diferentes possibilidades de tratamento, e a escolha depende dos sintomas, do histórico de saúde e das necessidades de cada paciente.

O pós-parto também pode mudar a vida sexual

Depois do nascimento de um bebê, o corpo e a rotina passam por muitas transformações.

Oscilações hormonais, amamentação, noites mal dormidas, recuperação do parto, cansaço e adaptação à maternidade podem interferir diretamente no desejo e no conforto durante as relações.

Não existe um prazo universal para que tudo “volte ao normal”.

Cada mulher vive esse período de uma maneira, e respeitar o próprio tempo também faz parte do cuidado com a saúde.

Saúde sexual também envolve prevenção

Cuidar da sexualidade também significa falar sobre prevenção.

O acompanhamento ginecológico permite conversar sobre métodos contraceptivos, prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, vacinação, planejamento reprodutivo e outras questões que fazem parte da vida sexual em diferentes fases.

E essas conversas não deveriam causar vergonha.

O consultório ginecológico precisa ser um espaço no qual a mulher possa fazer perguntas e falar sobre aquilo que está acontecendo com seu corpo sem medo de julgamento.

Vergonha não deveria impedir uma mulher de procurar ajuda

Muitas mulheres conseguem falar facilmente sobre menstruação, anticoncepcional ou gravidez, mas ainda sentem dificuldade quando o assunto envolve libido, orgasmo, dor ou desconfortos íntimos.

E justamente por não conversarem sobre isso, algumas passam anos acreditando que aquilo que sentem é normal ou que simplesmente precisam aprender a conviver com a situação.

Não precisa ser assim.

Se algo mudou, está causando desconforto ou interferindo na sua vida, vale conversar sobre isso durante a consulta.

Cuidar da saúde da mulher é olhar para ela por inteiro

Saúde feminina não se resume a exames.

Ela envolve o corpo, as emoções, os relacionamentos, a autoestima e também a sexualidade.

Por isso, falar sobre saúde sexual não deveria ser motivo de constrangimento. Deveria ser tão natural quanto conversar sobre qualquer outro aspecto da saúde.

Você não precisa esperar que um desconforto se torne insuportável para procurar orientação. Se alguma coisa mudou na sua vida íntima e isso tem incomodado você, converse com sua ginecologista. Entender o que está acontecendo é o primeiro passo para encontrar o cuidado mais adequado para você.

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